quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
Roda gigante infinita
Observei que desde que nascemos, acreditamos que somos amados de verdade. Talvez alguém realmente nos tenha amado, como nossa mãe ou pai, uma tia talvez, até mesmo uma vizinha. Mas a questão é: Por que temos que nos sentir amados para sermos felizes? Não basta sermos quem somos e seguirmos nossas vidinhas solitárias?
Queria poder não precisar de ninguém, para não sentir falta de nada. Principalmente de gente. Porque as pessoas são más na maior parte do tempo em suas mentes. Elas fingem, mentem, negligenciam, destroem coisas o tempo todo, mas exibem mesmo assim um sorriso falso de satisfação como se estivessem certas e felizes. Odeio essa falsidade da vida moderna, onde todo mundo tem alguma coisa idiota para mostrar. Para mim a única coisa que eu sempre quis era a liberdade. Poder ir e vir é uma verdadeira dádiva. Poder escolher qualquer coisa que quiser, sem ter que se preocupar com julgamentos a todo momento. Decidir viajar sem malas, decidir sair descalço na rua ou qualquer coisa. Você tem que ser bom! Tem que ser vegano, o primeiro da turma, aplicado. Tem que ter habilitação, tem que ter casa, carro, não ficar tão tarde na rua, não usar drogas, praticar esportes, comer comida saudável e por ai segue uma lista de comportamentos para ser considerado uma pessoa de verdadeiro respeito.
Certa vez eu ouvi de alguém, que pecado não é o que você faz para si mesmo e sim o que se faz para o outro. Eu concordo plenamente com essa afirmação, já que somos unicamente sofredores individuais. Ninguém pode sentir a nossa dor, se eu cometer um deslize qualquer, somente eu sentirei a dor. Então claro, vai depender dessas atitudes não virem a afetar outras pessoas.
A loucura é a sensação de total perda de controle do pensamento. Tudo fica tão insólito que o mundo interno nos rouba do mundo externo. Não há culpa, apenas desespero e sentimento de culpa. Inevitável desespero, sensação de abandono dos sentidos, da razão e de todos, incluindo de si mesmo.
Existem muitos estudos, de grandes pensadores e cientistas sobre as faculdades mentais. Os seres humanos da história que pensavam demais, que em algum momento surtaram. O que todos sabem é que falar sobre tudo é o melhor remédio. Como sessões de psicologia e psicoterapia. A escrita é um meio de pôr para fora toda essa bagunça que nos tira do sério. Essa sensação de perda de controle. A mesma da loucura. O ideal é entender tudo, organizar padrões e tentar conviver o que tem pra viver. No meu caso, eu concordo que o meu padrão de pensamento está vinculado à depressão desde a infância. Com o passar do tempo, desenvolvi transtorno de humor e agora Bipolaridade. Estados de depressão e mania que se alternam. Não sei qual extremo é pior. A depressão é uma sensação de tristeza intensa. Uma tristeza sem qualquer explicação. Quando sentimos alguma coisa desconfortável e sabemos o que fazer para nos sentirmos melhor, é claro que é o que fazemos no mesmo momento. A fome é um exemplo. Comer vai resolver, . A depressão por sua vez é implacável, vem com tudo e não nos dá pistas, porque tudo o que existe para se fazer, comer, sentir não é agradável. Nada é bom, nada satisfaz, tudo é sem sabor e a única coisa que queremos é tentar esquecer, para não entrar em um colapso de tristeza. O único conforto é o álcool em alguns momentos, então em vez de fazer tudo ficar bem, ele aciona a mania, o outro extremo. Eu prefiro a mania à depressão, na mania tudo é fantástico e exacerbado, exagerado. Sensações de euforia e alegria extrema, falsa felicidade. É quando os maiores erros são cometidos, quando acreditamos que estamos curados e que finalmente chegou a hora de botar pra quebrar (as vezes literalmente). O problema sempre é o outro dia, onde a variação retoma a depressão e dessa vez ela vem mais profunda que antes. Uma roda gigante infinita.
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Quem sou eu
- Michele Brandão
- Curitiba, Paraná, Brazil
- Não tolero sermões, embora ainda os escute e tento ao menos enganar meus nervos com a compensação das lições que aprendo! É hora de confessar o prazer no erro, a culpa sã ou o crime pensado, contra mim mesma, contra meu âmago. O que existe em mim??? Quem pode ver, ler ou entender? Todos os estranhos me atraem, os bonzinhos nem tanto, apenas os maus. Até que as nuvens desapareceram e a vida me jogou nesse solo curitibano, frio e seco a realidade tornou-se dura e terrivelmente adulta a diversão acabou! Amigo? Não sei o que é, sei que sou amiga destes e de outros, enfim das pessoas, sim sou tão sincera e ingênua, não meço esforços em compreendê-los ou ajuda-los, quando vejo que é importante e me sinto espontânea. Devo morrer e nascer de novo eu sei, me desapegar talvez de minhas coisas fúteis e inúteis. Tenho medo da morte e não sei o que Deus pensa de mim, tenho que ter certeza da minha salvação, ainda filosofando sobre minha psique. Minha maturidade é tão precoce, e às vezes faço e falo tantas e tamanhas tolices, as vezes sou tão flexível ao ponto de me deixar influenciar, tenho que tomar cuidado com isso.
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