O nada é como um dia nublado, como uma bebida morna e sem sabor. A companhia solitária, a morte em vida, o tanto faz na beira de qualquer estrada. Descobri porque não queria escrever, pode ser que eu estivesse com medo de todos esses personagens dentro da minha cabeça. Às vezes eu me pergunto, se ainda existo. Qualquer fragmento do que eu era... será que eu ainda posso tentar viver alguma coisa real? Fazer alguma escolha real? Será que ainda me resta algo? Ou será sempre este monólogo que é a coerção da existência?
Já que a liberdade em vida não existe, só nos resta a morte. Quando não se pode pensar em sofrer por não se deslocar. Viver sem caminhar é a mesma coisa que sofrer, porque nascemos para desbravar. Porém, nos sentimos presos, enjaulados numa sociedade cara, sem recompensas e sem horizontes. Numa prisão chamada corpo. Mas se a alma vive nessa prisão, quando morremos então ficaremos livres? É uma indagação recorrente. Sem resposta, pois, quem vai morrer para tirar a prova?
O medo existe. É mais fácil sentir medo daquilo que não se conhece. No entanto, corremos para o lado desconhecido muitas vezes de propósito, para sentir medo de propósito.
Ninguém quer se ferir. Mas queremos sentir. Sentir qualquer coisa que justifique nossos sentidos, ou porque estar aqui então? Só para obedecer e servir egos alheios aos nossos? Isso é o que esperam de nossas virtudes? Quais são as regras, afinal? Dessa existência medíocre e limitante?
Não adianta percorrer mares se dentro de si não encontrares a verdadeira insignificância.
O ego precisa ser banido para poder ver a beleza das coisas, ou o eu absoluto fechará os olhos para tudo o que é absoluto ao redor.
Sou um ser humano nessa terra, estou aqui nesse planeta desde 1987. Já fazem 31 anos! E eu ainda não entendo nada sobre nada da vida. Me sinto triste todos os momentos do dia, dos dias da minha existência. Nada é realmente tão legal quanto parecia que seria. Essa vida pra mim é um tanto vazia e sem significado. Mas quem quer falar sobre isso? Ninguém quer falar a respeito.
O vazio é o maior motivo do medo. Não ver, não sentir. A ausência de tudo, o amor frívolo, raso. Ao encarar o nada, o que mais se pode esperar? Quando qualquer coisa é alguma coisa, a própria dor conforta.
Antes quero ver o desagradável do que não ver nada. Essa dor latente de um círculo vicioso, proveniente da angústia de inquietação do ser. Existe e persiste. Para nós justificar humanos.
Por que só se fala de alegrias? De amor? É tudo tão raso! Na maioria das vezes superficiais e falsos sentimentos. Como evitar o mal do engano?? A dor sim é genuína, machuca corrói dentro do que é real.
Pois é, mas ninguém quer falar a respeito, por medo de encarar os próprios demônios.
Mas quando a bela rosa da existência desabrochar, e esta é a esperança que temos. Só assim seremos livres e felizes. Doce ilusão.
Essa dor de viver desde o primeiro flash da vida, as lágrimas, o choro. A luz era inconveniente e o ar ardia, o frio ardia, a falta de nutrição também doía. Se tudo é tão terrível, para que continuar a crescer e a servir os sentidos e a sentir esses sentidos cruéis implacáveis.
A grandiosidade da vida resume-se em dar-se conta da própria existência. Porque fazer as escolhas certas é muito difícil, mas viver e cumprir desejos parece ser inevitável.
E o tempo está passando, a morte vem chegando e promessas de luto promessas de paz e também de terror se aproximam. Deixamos tudo para amanhã mesmo assim, porque nos ensinaram que sobreviver a qualquer custo é necessário. Mesmo que isso custe a própria vida e a própria liberdade de simplesmente escolher o que ser e existir.
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Quem sou eu
- Michele Brandão
- Curitiba, Paraná, Brazil
- Não tolero sermões, embora ainda os escute e tento ao menos enganar meus nervos com a compensação das lições que aprendo! É hora de confessar o prazer no erro, a culpa sã ou o crime pensado, contra mim mesma, contra meu âmago. O que existe em mim??? Quem pode ver, ler ou entender? Todos os estranhos me atraem, os bonzinhos nem tanto, apenas os maus. Até que as nuvens desapareceram e a vida me jogou nesse solo curitibano, frio e seco a realidade tornou-se dura e terrivelmente adulta a diversão acabou! Amigo? Não sei o que é, sei que sou amiga destes e de outros, enfim das pessoas, sim sou tão sincera e ingênua, não meço esforços em compreendê-los ou ajuda-los, quando vejo que é importante e me sinto espontânea. Devo morrer e nascer de novo eu sei, me desapegar talvez de minhas coisas fúteis e inúteis. Tenho medo da morte e não sei o que Deus pensa de mim, tenho que ter certeza da minha salvação, ainda filosofando sobre minha psique. Minha maturidade é tão precoce, e às vezes faço e falo tantas e tamanhas tolices, as vezes sou tão flexível ao ponto de me deixar influenciar, tenho que tomar cuidado com isso.
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